RESENHA DO LIVRO O AUTO DA BARCA DO INFERNO POR GIL VICENTE

Escrita por Gil Vicente, O Auto da Barca do Inferno foi uma peça muito marcante durante do período de transição entre a Idade Média e o Renascentismo

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Escrita em 1517 por Gil Vicente, O Auto da Barca do Inferno foi uma peça muito marcante durante do período de transição entre a Idade Média e o Renascentismo. Uma das mais famosas obras do Teatro Vicentino, a peça critica os vícios e costumes da nobreza e da sociedade no século XVI e a forma como as classes sociais seriam importantes para garantir um lugar no céu após a morte.

Na peça, o cenário inicial é de dois barcos aguardando a chegada das pessoas mortas para levarem ao céu ou para o inferno, cada barco com seu destino confirmado – o que vai para o céu é recepcionado pelo Anjo, enquanto o do Inferno é recebido pelo Diabo. Ao longo do Auto da Barca do Inferno diversos personagens chegam ao cenário para serem levados ao paraíso ou as trevas.

O primeiro personagem a chegar é um nobre, fidalgo e rico, o qual acha que seu lugar no céu está garantido por ser rico e esquece de seus pecados ao longo da vida. O segundo a chegar é um Onzeneiro, personagem que empresta dinheiro aos mais pobres e cobra juros muito altos, deixando a pessoa que pegou dinheiro emprestado com mais problemas financeiros, garantindo seu lugar no inferno. O terceiro personagem é um Parvo que espera que seu lugar no Inferno esteja garantido, mas, para sua surpresa, é considerado um ser puro e sem malícia, embarcando no barco com o Anjo.

O quarto personagem do Auto da Barca do Inferno é o Sapateiro,  que acha que por ter se confessado para o padre antes de morrer o garantiria um lugar no céu, mas ele sempre enganou e explorou o povo enquanto viveu. O quinto personagem é um Frade, ele vem com sua amante e é contente, principalmente por achar que pode ir para o céu por ter servido à igreja, mas ele era um padre corrompido que tinha uma amante. A sexta personagem é Brísida Vaz, uma cafetina que chega lá com um colar com seiscentos himens postiços. Ela achava que poderia ir para o céu por ter “salvado a vida daquelas meninas”, mas na verdade ela às explorava e não enganava somente elas, mas também seus clientes, mentindo que elas eram virgens.

O sétimo personagem é o Judeu, que chega lá com o seu bode e implora para o diabo lhe dar um lugar em seu barco. O oitavo e nono são o Corregedor e o Procurador que aparecem no mesmo momento e, ambos acham que podem ir para o céu porque trabalhavam com a lei, esquecendo de seus momentos de imoralidade ao fazer justiça. O décimo personagem é o Enforcado, que acha que pode ir para o céu por ter pagado seus pecados no momento que foi condenado à forca. E por fim, temos os Cavaleiros Cruzados, que lutaram nas cruzadas e morreram lutando por Jesus Cristo. Esse passam direto pela barca do inferno e vão direto para a barca do céu.

A grande crítica de Gil Vicente é muito visível ao longo de O Auto da Barca do Inferno, principalmente na forma em que o autor descreve as vestimentas ou características pessoais de cada personagem, incluindo sua classe social. Os nobres acham que por serem ricos e conseguirem pagar seus dízimos estão com o seu lugar garantido no céu e os pecadores acham que conseguem o perdão através do mesmo dízimo. Entretanto, o que Gil Vicente busca dizer é que não importa se você é padre, nobre, se pagou o dízimo para Igreja ou se confessou, no julgamento final tudo é levado em conta e a maioria das pessoas acaba indo para o Inferno.

 

 

Livro:

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O Auto da Barca do Inferno
Gil Vicente
Editora Saraiva
80 páginas

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