Resenha do livro: ”O amor é um Cão dos Diabos”, Charles Bukowski

  A partir de que ponto o livro ”O amor é um Cão dos Diabos” pode encontrar parâmetros de identificação no contemporâneo, ou se trata de uma obra ultrapassada.

Foto da capa do livro ''O amor é um cão dos diabos'' de Charles Bukowski

“O Amor é um Cão dos Diabos” é um livro publicado e distribuído no Brasil pela LPM em 1977, traduzido da língua inglesa para o português. A obra traz poemas distintos sobre o cotidiano e experiências vividas pelo próprio autor, Charles Bukowski e contadas por meio de seu alter ego, Henry Chinaski. Retratando obscenidade, completamente coloquial, o autor descreve a relação entre trabalho, embriaguez e barateamento, o que acabou atraindo uma geração que estava em busca de obras que pudessem se identificar. Com uma escrita detalhada de uma época diferente da atual, quais são os desafios de leitura? E a identificação da geração cairá a ser mesma?

O livro é escrito na primeira pessoa e forma poemas divididos em quatro partes principais, com em média vinte poemas cada. “O Amor é um Cão dos Diabos” muitas vezes apresenta diálogos inteiros ou situações descritas, vividas e explícitas sem censura, com a descrição detalhada de momentos sexuais e referentes ao consumo de álcool. A primeira parte da obra é intitulada como “Mais uma criatura atordoada pelo amor”, e tem em sua base diversos poemas feitos especificamente para as mulheres que marcaram a vida de Bukowski, com foco em suas desilusões amorosas, principalmente diante das expectativas criadas pelo próprio autor durante suas relações. As escritas são pessoais durante a sua juventude e início da fase adulta.  

A segunda parte da obra “O Amor é um Cão dos Diabos” é intitulada como “Eu, e aquela velha: aflição” e a terceira parte é intitulada como “Scarlet’’. Ambas com um conteúdo similar e foco no cotidiano de Bukowski , onde expõe fortemente seus anseios e suas frustrações em relação a sua própria escrita, desilusão com o futuro, empregos, falta de dinheiro e relações mal acabadas.

 

Foto do autor Charles Bukowski

Para finalizar o livro Bukowski traz “Melodias populares no que restou de sua mente”, como um de seus poemas mais recentes, com um caráter mais otimista em relação ao dinheiro, já que quando escrito, ele era conhecido como um poeta famoso. A recorrência nessa parte da obra “O Amor é um Cão dos Diabos”  é perceptível com a presença do tema da futilidade que uma vida de sucesso pode ter, onde anteriormente, o autor se estacionava em uma vida infeliz, com poucas perspectivas e regada de vícios, porém nessa nova fase, ele tinha sucesso. A grande indagação se dava pelo fato de que algo ainda o incomodava e o instigava, quando se tratando da ‘‘comodidade’’ e pessoas interesseiras ao seu redor, escrevendo poemas tais como ‘’O bom perdedor’’ e ‘’Um poema de 56 anos’’.

Portanto, a obra “O Amor É um Cão dos Diabos” traz em seus versos um humor ácido e temas sobre o amor de forma crua e sem idealizações. Observando por outra ótica, “O Amor É um Cão dos Diabos” foi publicado em 1977, com questões de misoginia e machismo, tratando-se de um livro polêmico. Bukowski traz em partes de seu livro a imagem da mulher como um objeto e fonte de satisfação sexual para o homem, em que é possível entender no mundo de hoje a problemática de tais versos. Além da escrita voltada para diversos momentos análogos a estupro e violência, tanto presenciados como realizados pelo autor. Logo, apesar da boa escrita e fácil entendimento, é necessário questionar e trazer à discussão as descrições problemáticas que o autor retrata e repensar sobre seu peso do passado e possível mudança de pensar para o futuro.

   

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