FRANKENSTEIN DE MARY SHELLEY: A PRIMEIRA FICÇÃO CIENTÍFICA

Saiba mais sobre a ficção científica Frankenstein ainda capta a imaginação e temor das audiências mesmo após de 200 anos.

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Sumário: 

A ficção científica Frankenstein ou o Prometeu Moderno, por Mary Shelley de 1823, é um grande marco para o movimento romântico inglês, sendo consideradas a Criatura e o médico Victor Frankenstein como os pais das grandes obras de terror e ficção científica do mundo.

Início peculiar :

O livro inicia-se com uma série de cartas e de passagens de um diário de bordo: o capitão Walton está em uma ousada viagem para atravessar o Ártico quando resgata o moribundo Dr. Victor Frankenstein. O médico então passa a narrar sua bizarra história para o capitão. 

Victor Frankenstein, um homem da ciência, tem uma obsessão desde cedo na criação de vida, quando então concebe a Criatura. A Criatura era um gigantesco e grotesco cadáver vivo, e assim o próprio médico, horrorizado com a sua criação, foge e abandona o seu monstro. A Criatura recém-nascida e abandonada começa a ler e contemplar sua existência. Ele então lê as grandes obras filosóficas como Paraíso Perdido por John Milton, Os Sofrimentos do Jovem Werther e As Vidas de Plutarco… O monstro descobre que sua grotesca aparência nunca será aceita pelo mundo, mesmo com sua personalidade contemplativa e doce, personalidade completamente oposta de como lembramos a Criatura ser nos filmes e televisão. E assim abominando seu criador por ter dado o vida, ele procura vingança em Frankenstein. 

O terror e o final trágico do monstro Frankenstein:

A renegada Criatura então, passa perseguir o médico, saindo em uma frenética matança de seus familiares. Começando com o  irmão mais novo do médico William, depois seu melhor amigo Henry. Então a Criatura propõe parar com a matança se, médico criar uma mulher, uma companheira, para o monstro. Porém horrorizado com a ideia de um outro monstro, um monstro feminino ainda, ele recusa a proposta, e a Criatura, assassina a nova esposa de Victor, Elizabeth. 

O monstro não descansa, no entanto, até encontrar e se vingar de seu criador, o  perseguindo até o Ártico, onde começamos a história. Repensando a sua arriscada viagem pelo Ártico devido a comovente e a assustadora história de Frankenstein, o capitão decide voltar atrás e poupar a sua vida e de sua tripulação. Logo após sua decisão, o capitão Walton encontra a Criatura dentro de seu barco lamentando a recém morte de seu criador, ele afirma ao capitão que finalmente pode acabar com seu sofrimento, e vai em direção a uma nevasca e morre. 

Análise: 

1- O Prometeu Moderno: A história ilustra o monstro como um paralelo a Adão, Prometeu e também ao próprio Diabo; todas criaturas que se oposeram seus criadores, e foram no final renegadas e abandonadas pelos seus pais. 

2- O Belo e a Fera: Assim como também cria diversos paralelos entre suas personagens, em especial Victor Frankenstein e a Criatura: Victor é um homem obcecado e arrogante, porém rico e belo nos olhos da sociedade. Já a Criatura é gentil, reflexiva e cuidadosa, porém grotesca e monstruosa, assim rejeitada pela sociedade.

3- O mal do século: A obra de ficção científica também ilustra as inúmeras preocupações e os medos da sociedade vitoriana, como o medo dos perigos da sabedoria, medo de desafiar a mãe natureza e o medo da racionalidade e da ciência como certezas absolutas, um mundo sem valores. 

4- Feminismo precoce: Outra maneira de se interpretar a obra de ficção científica é pela leitura feminista, uma vez que Victor de certa forma viola e abusa a mãe natureza, a criatura não tem mãe, filho é apenas um pai, é anormal. Além da repulsa por Victor de fazer um monstro feminino, uma vez que ele pode ser ainda mais maligno ainda e criar outras criaturas malignas. Para Mary Shelley mulheres são essenciais para ordem regular do mundo, não podemos a excluir da sociedade e nem da natureza.

Adaptações de Frankenstein:

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O enorme monstro verde de 1931, está distante da verdadeira proposta de Mary Shelley, ele não sabia falar ou muito menos ler e refletir sobre sua própria existência, porém continua sendo um do melhores filmes já feitos pré Hollywood. 

Assim como as adaptações A Noiva de Frankenstein de 1935 (que tem um subtextos escandalosamente LGBT). O Jovem Frankenstein de 1974 (paródia por Mel Brooks). A série Penny Dreadful de 2014 (uma série que representa mais fielmente a Criatura). E a trilogia Hotel Transilvânia de 2012 (para as crianças fãs de terror), são todas grandes adaptações que merecem ser assistidas!

O brilhante livro de Mary Shelley é uma obra que foi contra diversas convenções da época: foi escrito por uma mulher… E ainda é uma história de terror, também consideradas vulgares para a época. A obra também vai contra os rumos científicos e os seus avanços. E assim, tornando a obra uma leitura indispensável!

E mesmo depois de quase 200 anos ainda capta o interesse das audiências nos fazendo questionar se o mundo da ciência deve ou não desafiar as leis da natureza, e temer o terrível Frankenstein.

 

Livro:

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Frankenstein
Mary Shelley
Editora Estampa
181 páginas

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